Estudos

Original Fila Brasileiro – Em prol da preservação da raça.

Introdução.

O cão de Fila Brasileiro é uma raça genuinamente brasileira, originária de cães trazidos pelos europeus pelo período do descobrimento das Américas, e adaptada às condições locais, considerando-se o meio ambiente das fazendas que aqui se estabeleceram. É, sobretudo uma raça forjada no trabalho, ao lado do desbravador e dos fazendeiros dos primeiros séculos do Brasil colônia. Igualmente, pode-se dizer que é uma raça de elevada rusticidade, tendo sobrevivido aqui sem muitos cuidados sanitários ou zootécnicos, igualando-se às raças de outras espécies domésticas aqui formadas (porcos, bovinos, galinhas), consideradas raças caipiras ou crioulas.

As origens genéticas, ou a formação desta raça, são relativamente desconhecidas, considerando-se que não existem muitos relatos sobre sua existência no Brasil colônia e especialmente estudos zootécnicos. Percebe-se que se trata de raça molossóide, que são as raças de cães cujo crânio é volumoso, e a estrutura física se apresenta avantajada, sendo cães com finalidade de guarda, caça e combate a animais grande porte, além de lida com gado bovino. Já na Europa, muito antes do descobrimento do Brasil, estes cães prestavam serviço ao homem. Em Portugal, já se denominava a cães desta categoria como Cão de Fila ou Cão de Filar. O verbo filar tem o significado literal de “segurar com os dentes”. Desta forma se define o tipo de cão de trabalho de que se trata.

Trazidos para o Brasil, possivelmente pelos portugueses e alguns outros povos que para cá emigravam, cães do tipo molosso aqui se adaptaram e procriaram, reproduzindo as características dos melhor adaptados, e certamente dos melhores prestadores de serviço ao colono.

O Fila Brasileiro permaneceu preservado principalmente nas fazendas de Minas Gerais, a partir do século XX, tendo praticamente desaparecido de outras regiões neste período. Acredita-se mesmo que a raça tenha se fixado e formado neste Estado, não se sabendo ao certo a causa da sua presença na quase totalidade nestas terras e Estados vizinhos.

A “Descoberta” da Raça Fila Brasileiro Pela Cinofilia Oficial.

Por volta de 1940, em meados do século XX, quando existiam em relativa abundancia nas fazendas de Minas Gerais, por aqui muito conhecidos como cães boiadeiros e até mesmo onceiros, cães da raça Fila Brasileiro passaram a ser observados por cinofilistas, criadores de raças reconhecidas pela cinofilia oficial, importadas da Europa.

Constatou-se através de olhares técnicos, que se tratava de uma raça com todos os requisitos necessários para o reconhecimento pela oficialidade – a Federação Cinológia Internacional (sediada na Bélgica), no Brasil representada à época pela instituição denominada Brasil Kennel Club (BKC).

Foi então que um grupo de cinofilistas brasileiros passou a defender o reconhecimento do nosso cão de Fila. Em 1946, um grupo de estudiosos (Paulo Santos Cruz, Erwin Waldemar Rathsam e João Ebner ) observando diversos exemplares nos interiores de Minas em seu habitat – as fazendas de gado – lograram elaborar o primeiro padrão racial, descrevendo as características morfológicas e o comportamento do que viam, deduzindo do seu complexo comportamental, o que vieram a definir como temperamento. Aos primeiros cães trazidos do interior, a cinofilia oficial concedeu o RI (Registro Inicial), para que reproduzissem em canis sob observação e se pudesse analisar as gerações seguintes, quanto ao poder de transmissão das características morfológicas e mentais.

Em 1952 este padrão foi reconhecido pela FCI, após alguns anos de observação das primeiras ninhadas nascidas em canis, comprovando-se a capacidade de transmissão dos caracteres raciais fielmente. Estabeleceu-se, portanto o que denominamos de Padrão Original Fila Brasileiro: aquilo que se via nas fazendas de Minas Gerais.