Estudos

O Fila Brasileiro na Era da Cinofilia Moderna.

No período que se seguiu, até meados de 1960, o nosso cão de Fila passou a ser criado em residências urbanas e chácaras, com finalidade de guarda. Por esta época chegou a ser considerado por muitos como “o melhor cão de guarda do mundo”.

Desta forma, despertando grande interesse do público brasileiro e também do exterior, o Fila Brasileiro passou a se tornar alvo de grande procura comercial. A partir daí, uma nova etapa na história da raça teve início.

Não havendo animais em quantidade suficiente nos canis, para suprir a demanda de mercado, criadores inescrupulosos, colocando o interesse econômico acima da preservação da originalidade da raça, e também com intuito de tornar a raça com mais aparência de raças semelhantes (molossos importados), passaram a produzir animais parecidos com o Fila, portadores de documentação (pedigree) da raça Fila, mas que na verdade eram versões falsificadas.

A própria cinofilia oficial, em 1967, reconhecendo um processo de despadronização na raça, criou uma comissão denominada Comissão de Aprimoramento Do Fila Brasileiro – CAFIB, para que ser realizasse um trabalho de reorganização da criação. Foi nomeado o criador e um dos elaboradores do padrão racial, Dr. Paulo Santos Cruz para presidir a comissão.

No entanto, criadores influentes na cinofilia à época, resistiram ao trabalho empreendido por Santos Cruz, já que grande parte dos cães dos canis estavam despadronizados, a se considerar o padrão original traçado em 1946. O resultado foi a expulsão de Santos Cruz dos meios cinófilos.

Não desistindo da causa, Dr. Paulo como era conhecido, criou então o CAFIB – Clube de Aprimoramento do Fila Brasileiro. E passou a enfrentar diretamente a cinofilia chamada oficial, denunciando a mestiçagem na raça Fila por todo o Brasil. Durante mais de três décadas esta entidade, mesmo após o falecimento de Dr. Paulo, vem lutando para preservar o Fila da mestiçagem.