História

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AS NOSSAS BASES GENÉTICAS

Adros do Vale de Bragança (nascimento: 05/03/79)

Adros do Vale de Braganca

Seu pedigree remonta aproximadamente à década de 1950, com base nos primórdios do canil ABC, de São Paulo. Seus ancestrais na 5ª geração são todos desta origem. Da 4ª geração em diante, os ancestrais constam em outros criatórios, sem qualquer introdução de novos indivíduos de outras origens.

Características – ótima tipicidade, confirmada em diversas exposições, conforme súmulas do CAFIB e da BKC. Possuía “tórax em barril”, o que lhe conferiu o apelido de “Arcos” dado pelo seu primeiro dono, senhor Beni Algranti. Ainda hoje nota-se na linhagem Caramonã uma presença desta característica em alguns exemplares.

O que mais o caracterizava era uma absoluta “ojeriza a estranhos”, conjugada com um temperamento temerário, indomável. Além dos familiares do Sr. Beni, somente eu e um único caseiro de canil que tive, puderam desfrutar de sua amizade. Recebi-o com cerca de quatro anos de idade e convivi com ele por mais quatro, quando veio a morrer.

Adros do Vale de Braganca – exposicao em Governador Valadares na decada de 1980.

Figura do Travessão (nascimento: 29/10/77)

Figura do Travessao. De coloracao amarela levemente “queimada”.

Sua origem mais remota vai também aos idos de 1950 aproximadamente. O canil Travessão teve sua formação no canil Piraí, no estado do Rio de Janeiro, o qual se formou pelas bases Amazonas (Luiz Hermany Filho) e Parnapuam (Paulo Santos Cruz).

O canil Amazonas teve sua formação também sob os conselhos de Paulo Santos Cruz, a partir de cães buscados no interior.
Características – a figura se destacava por suas características exteriores, de extrema harmonia de linhas e beleza visual, com seu grande couro solto e belíssimas barbelas que lhe davam um “ar” de nobreza racial.

Apresenta muita “ojeriza a estranhos”, porém era calma e segura, de baixa excitabilidade e elevada coragem, surpreendendo por vezes pessoas que a julgavam pacata e se aproximavam perigosamente. Seu ponto forte na criação foi a transmissão aos descendentes da beleza estrutural, do grande couro solto e da nobreza do temperamento, sendo calma, serena, superior e brava a um só tempo. Recebi-a com avançada idade, tendo no entanto obtido dela duas ninhadas.

Figura do Travessao com o tratador Joao.

Athenas de Dom Pedrito (nascimento: 30/01/80)

Cabeca da Athenas de Dom Pedrito.

Esta cadela também vem das mesmas origens do canil Travessão, com bases Amazonas, sendo Filha da Figura com o Bingo do Travessão, o qual vinha de Guru do ABC com a famosa Dafne do Amazonas, de cuja ninhada eu havia conhecido em Belo Horizonte na década de 1970, a cadela Dinha do Amazonas, então de propriedade do canil Paraibuna, do coronel Verlangieri.

Lembro-me que certa vez o criador Cristóvão Giancoti (canil Tabayara) me comentara da sua beleza. Realmente com esta cadela eu ficara impressionado à época, e quando soube realmente da parte do senhor Francisco Vila (canil Dom Pedrito), na década de 1980, da existência da Athenas, não descansei enquanto não a tive comigo. Com endereço indicado pelo Sr. Francisco, fui buscá-la em uma fazenda próxima a Governador Valadares, já com seus 9 anos de idade em 1989. Reproduziu com dificuldade, mas compensou o esforço.

Características – possuía características exteriores muito semelhantes às da Figura, com grande couro solto e belíssimas barbelas. Parecia-se muito com a Dinha. Era de uma pelagem cinza de rara beleza.

Seu temperamento era muito forte, embora também como a Figura, não fosse de latir. Apesar da idade, ao chegar à nossa fazenda, assim que me aceitou, soltei-a um dia e levei-a ao curral. Neste dia ela me deu uma demonstração de trabalho que só lamento não ter podido documentar. Silenciosa, fazia a “apartação” e “segurava” novilhas com impressionante coragem e precisão. Da Athenas aproveitei o Uirapuru (1991), filho do Poguaçú do Caramonã e também a Raposa (1989), filha do Ouro do Caramonã.

O Uirapuru – dado de presente a um amigo de Teófilo Otoni – era baio acinzentado como Athenas, com imperceptíveis traços tigrados na cabeça. Acasalado com a Raposa, gerou a Juma do Caramonã de pelagem tigrada.

No início da década de 2000 passei a trabalhar para resgatar as origens da Athenas, como demonstrarei.

Athenas com meu filho Daniel.

Uirapuru do Caramonan – grande porte e ossatura.

Algumas estratégias para evitar a consangüinidade.

Conde dos Torres do Rio Bonito e Brena Solar Carrara.

Assim que obtive os irmãos Ouro e Opala e de outra ninhada o Poguaçú do Caramonã, surgiu a preocupação com a continuidade da criação sem os riscos de consangüinidade, pois eu não poderia acasalar irmãos de pai e mãe (irmãos inteiros).

Eu havia recebido a visita em Teófilo Otoni da criadora Dona Marli Borsato em companhia de quem depois se tornou um amigo, o Flávio Carvalho, de Goiânia. Dona Marli é conhecedora exímia do Fila Original, conviveu com um plantel de inteira origem Parnapuan no passado, e estava com a cadela Oncinha para cruzar.

Atravessou o trecho do país desde Goiânia até Teófilo Otoni, somente para realizar o acasalamento da Oncinha com o Adros. Infelizmente, já velha, a Oncinha veio a morrer antes de parir. Dois anos depois, o Flávio reconhecendo em Goiânia o Conde (filho da oncinha) como remanescente raro da criação da Dona Marli, ficaria ansioso por falta de fêmeas à altura na época, despachou-o de avião para mim. Fui buscá-lo em Belo Horizonte de carro. Com ele veio a Brena, ambos tigrados, ela terrivelmente brava.

Conde dos Torres do Rio Bonito. Observe-se a cabeca periforme.

Brena Solar Carrara.

Brena Solar Carrara na Fazenda Santa Cruz.