História

Ao nascerem os filhotes da pequena Sabará, única sobrevivente do acasalamento da Opala com o Conde das Torres do Rio Bonito, logo se viu a excepcional qualidade da ninhada.

Avisei a amigos do Clube Mineiro – em reativação – para o fato. O amigo Paulo Augusto M. Moura optou pela Tarumã, ficando o Touro com o amigo Carlos Barreira e o Tupá com Olegário Bretas que na época desejava iniciar um canil sob a supervisão e assessoria do expert Paulo Augusto. Não poderia ser mais oportuna a chegada destes animais a Belo Horizonte. O touro foi solicitado para resgate de criações tradicionais e início de outras.

O Olegário Bretas deu início ao São José da Lapa com o Tupá do Caramonã. Depois oportunizando um acasalamento feito por mim entre o Touro do Caramonã X Opala do Caramonã, tendo adquirido a Areta do Caramonã (1993), irmã da Apoema que posteriormente vim a utilizar.

Areta era uma cadela excepcional e foi coberta pelo Tupá do Caramonã, gerando a também maravilhosa Jandaia de São José da Lapa (1995), adquirida pelo então jovem estudante e amigo nosso, Guilherme Trindade Reis que veio a fundar o Canil Fazenda Mundeo.

A cada três gerações é importante introduzir novos elementos genéticos, evitando-se os prejuízos que a consangüinidade pode causar.

Por esta época (1995), eu estava com poucos cães, todos já novamente consangüíneos, pois os únicos “refrescamentos” de sangue até então havia sido o Conde das Torres do Rio Bonito e a Honda do Engenho, cuja filha que me coubera do cruzamento, a Imagem do Engenho, morrera após o 1° parto e eu não sabia do paradeiro dos filhotes, pois eles haviam sido encaminhados a diversas pessoas pelo amigo José Luiz Cortes, dono da Imagem.

Iniciei uma busca de novas linhagens para introduzir na criação Caramonã antes que a consangüinidade viesse a ocasionar prejuízos a esta genética. Foi quando me lembrei dos cães cuja linhagem registrei com o nome de Porto Alegre.
Fui em busca destes cães na fazenda onde os conhecera.

Em 1998, de um cruzamento da fêmea Luma de Porto Alegre (Rambo de Porto Alegre x Princesa de Porto Alegre) autêntica boiadeira, obtive o Batã do Caramonã, filho do Zabelê do Caramonã. Registrei em nome do meu canil, pois na época o Totó (proprietário da fazenda Porto Alegre) havia falecido recentemente, fato que gerou a quase extinção da linhagem Porto Alegre.

Luma de Porto Alegre e seus filhotes com Zabele.

Zabele do Caramonan com meu filho Daniel.

A linhagem Porto Alegre

Femea da linhagem Porto Alegre – propriedade do fazendeiro João Ferreira, Corrego Catule, Jampruca, MG. final da decada de 80.

Femea de linhagem Porto Alegre X Caramonan – observe-se a cabeca periforme. 2007. Esta tambem um dos filhotes de Pungirum do Caramonan X Ronda do Arugua.

Eram cães rústicos, muitos deles abuldogados, criados há décadas para a lida com o gado nelore, selecionados para trabalho.

O Batã sendo 50% das bases puras Caramonã, com saúde (vigor hibrido de linhagens) e seus instintos de trabalho, veio a contribuir muito com a criação, especialmente quando recebi a fêmea Champanhe da Fazenda Mundeo, um presente carinhoso dos amigos da diretoria do Unifila Paulo Augusto, Guilherme, Wagner Resende (canil Acangussu), Geraldo Barbosa e Jerfferson, num momento em que eu sacrificara a Opala e Ágata do Caramonã em decorrência da leishmaniose.

Opala e Agata do caramonan em exposicao em Belo Horizonte com o tratador Maurinho.

Dele tivemos uma ninhada com a Champanhe (apelidada por nós de Caiçara), da qual obtivemos a Era do Caramonã, o Erati do Caramonã que foi ficar com o Teo Hudson (canil Aruguá) que preserva até hoje as bases genéticas Caramonã x Porto Alegre.

Também o Erussu cuja imagem se transformou em selo oficial na Finlândia, tal a sua beleza. Seu proprietário Mark Nurminem (canil Higienópolis), nos enviou um cartão postal, expressando a sua satisfação. Foto Cartão postal.

Era do Caramonan

Filhotes Erussu do Caramonan e Era do Caramonan.

Em um momento de recuperação da linhagem, é pertinente falar da Champanhe e do papel que a mesma desempenhou.

Champanhe da Fazenda Mundeo

Champanhe da fazenda Mundeo.

A Champanhe chegou para o canil Caramonã em 1999, quando eu estava sem fêmeas reprodutoras. Foi, portanto um presente de amigos que reconheciam a importância – além da amizade – do meu trabalho com a raça Fila.

Era um filhote maravilhoso e de ossatura extrema, o que me levou a escolhê-la entre os irmãos, pois representava um dos itens que se destaca na criação Caramonã, como uma marca especial.

A champanhe, a quem denominamos de Caiçara, apresentava algumas características no entanto que eu não identificava como exatamente da sua origem Caramonã. Temeroso de que seus descendentes pudessem herdar lábios superiores muito grandes( defeito grave que nunca observamos na nossa linhagem), programei para ela acasalamentos que pudessem, digamos, limpar a expressão estranha no Caramonã.

A primeira cruza da Champanhe foi com o Batã do Caramonã, Fila puro de fazenda com puro Caramonã ( Zabelê x Luma de Porto Alegre).
Logo a seguir, com objetivo de resgatar a origem pura da linhagem, descobri onde se encontrava o Bhight do Caramonã (Zabelê do Caramonã x Imagem do Engenho). Com esta cruza, estando Bhight já bastante doente, nasceu um único filhote: Pungirum do Caramonã, incontestável maior expoente nas exposições do Unifila enquanto viveu, ganhador absoluto de todas as exposições que participou, com melhor da raça, melhor cabeça e melhor da exposição, durante quatro anos.

Possuía um temperamento formidável. Era capaz de deitar calmamente na pista durante a exposição, ou “escavar” terra, desafiando a tudo e a todos. Ao perceber qualquer aproximação diretamente na sua direção, sua expressão tornava-se imediatamente grave, sem no entanto emitir sequer um rosnado. Desafiado, tornava-se realmente bravo, demonstrando um ímpeto que me lembrava o Adros e o Poguaçu.

Bright do Caramonan, ao ser resgatado em uma fazenda, tomado de carrapatos.

Neste ponto, iniciamos uma fase da criação (a partir de 1990) que gerou o plantel que temos hoje, como será demonstrado.

A seguir apresentamos uma seqüência de gerações de reprodutores e matrizes de destaque da linhagem.

Observe-se a transmissão dos caracteres raciais, especialmente do Adros para o Poguaçu, e deste para o Zabelê. Na geração Bright, já entra a influencia Jaguara.

Gerações: 1 – Adros; 2 – Poguaçu; 3 – Zabelê; 4 – Bright; 5 – Pungirum.
Caracteres raciais e da linhagem são mantidos durante 5 gerações.