Padrão Original

FALTAS.

1 – Desqualificantes : Mono e criptorquidismo. Orelhas ou cauda operadas. Brancos se qualquer mancha de outra cor. Nariz cor de carne. Prognatismo inferior com dentes à mostra, estando a boca fechada.

2 – Graves : Cabeça pequena; andar sem gingar; pele não solta; lábios superiores curtos; sinais de albinismo; olhos salientes; timidez, covardia.

3 – Sérias : Prognatismo inferior ou superior; passos curtos; amizade a estranhos; ossatura leve; peito pouco profundo; garupa mais baixa do que a cernelha.

4 – Leves : Todo e qualquer desvio do padrão.

5 – No julgamento deve o juiz preferir o exemplar com várias faltas àquele com apenas uma ou duas, porém muito pronunciadas.

 

COMENTÁRIOS NOSSOS.

Podemos tecer alguns comentários, comparando o padrão oficial atual (CBKC/FCI) com o original, assim como alguns aspectos do texto do padrão CAFIB.

Na parte que fala sobre o TEMPERAMENTO, é lamentável que o padrão FCI atual tenha sido alterado em 1987, sabe-se lá com base em que, retirando a afirmativa de que o Fila não permite ser tocado pelo árbitro. Esta seria uma realidade apenas aceitável para cães criados soltos nas fazendas. Como o objetivo da grande maioria dos criatórios de Fila atualmente é a guarda, o item deveria permanecer.

Em MOVIMENTOS, os textos atuais acrescentam itens importantes : fazem referencia ao passo de camelo e ao galope poderoso.

Observação muito importante, no quesito que diz sobre os movimentos serem gigantes com bom alcance e rendimento. O que não ocorre nos cães com pernas curtas que vemos atualmente. O texto original refere-se às pernas e sua importância para o grande alcance de terreno “bastante terreno com poucos movimentos” ; o que induz a pernas de tamanho considerável, e que pode ser observado nas fotografias de cães mais antigos.

No quesito COR, o padrão original permitia todas as cores e suas combinações. No atual padrão CBKC, permitem-se as cores sólidas “exceto as desqualificantes” que são : cães brancos, cinza-rato, malhados e manchetados. Manteve-se a cor preta, sobre a qual paira uma grande polemica e muitas dúvidas, em função de coincidir que os cães pretos apresentem muitas atipias atualmente. O padrão CAFIB simplesmente elimina a cor preta para o Fila, que é uma medida decorrente do fato de que na realidade, atualmente não existam Filas pretos aceitáveis, de conformidade com o padrão original.

No padrão original a descrição da CABEÇA afirma ser esta de aspecto quadrado e braquicéfala. Afirma também ser o focinho mais curto que o crânio, confirmando o aspecto quadrado da cabeça. O que não pode ser tomado como pretexto para a mastinização do nosso Fila, como tem sido tentativa de parte da cinofilia atual. Mas também é um alerta para a seleção, devendo-se evitar cães de focinho longo, que induzirá a crânios estreitos fatalmente.

O padrões atuais, reformulados do original, definem a cabeça com formato trapezoidal, sendo que a relação crânio-focinho é preferencialmente 1 por 1. Nestes pontos surgem algumas polemicas. Cães de focinho muito longo e crânio estreito se aproximam do tipo bracóide, sendo menos molossoides. Possuem mordeduras de menor força. Particularmente descarto todos os cães com esta característica da minha criação, buscando sempre o equilíbrio e a harmonia, mas cães com características definidamente molossóides (vide Zumba de Parnapuan).

O texto FCI atual destaca um item muito importante para distinção do Fila Original dos mestiços : o aspecto periforme da cabeça, pois nenhum outro molosso possui esta característica, assim como os mestiços. Poucos juizes estão levando este item a serio, quando deveriam observa-lo com muita atenção, e mesmo valorizá-lo, já que é um diferencial.

Outro ítem importante para se identificar um Fila Original, ainda na cabeça, são as orelhas. Em consonancia com o tipo molossoide, as orelhas devem ser “de molosso”, largas na base, formando um triangulo ao meio, em formato de V. Portanto, orelhas em formato muito alongado, muito baixas e muito pendentes, denotam uma influencia exagerada de cães de caça na genética de alguns exemplares. O que deve ser observado com cautela e nunca incentivado pelos juizes. Sobre este aspecto,é importante comentar que cães de caça possuem forte “instinto de corso”, ou seja, de perseguição; o que pode não ser exatamente um fator para selecionarmos nas nossas criações.

O que se deve procurar preservar no Fila como cão de guarda é o instinto de enfrentamento ao homem. Coisa que não é própria dos cães de caça. Por isso temos visto nas exposições em provas de temperamento, cães com elevado instinto de atacar os “agressores” (cobaias), enquanto estes se encontram em movimento, incitando-os à perseguição. No entanto quando estou em julgamento, algumas das vezes em que os testei frontalmente, olho no olho, sem o estado de excitação a que foram acostumados, eu os vi vacilar como aqueles cães que perseguem carros, ao verem o carro parar.

Considerando pequenos detalhes morfológicos, podemos prever o temperamento, e os instintos dos animais, ou pelo menos as tendências a que eles estariam mais sujeitos. Devemos considerar o comportamento dos ancestrais do Fila para podermos compreender seu comportamento. No processo de seleção, sempre procurei utilizar reprodutores e matrizes de características molossóide e descartar os de influencia bracoide, de orelhas muito baixas e alongadas, e cranios estreitos com longos focinhos. A observação do padrão de 1946 pode ajudar…. Vide Zumba de Parnapuan !

É importante observar nos textos atuais os itens que dizem respeito às faltas, o que pode ser muito enriquecedor para orientar a compreenção do Fila, e se descartar características indesejáveis.